Thor Vilhjálmsson

Thor Vilhjálmsson, um dos mestres da literatura islandesa, nasceu em Edimburgo em 1925 e viveu, a partir dos cinco anos de idade, em Reiquiavique.
Nas suas memórias – saíram na Islândia dois volumes: «Vozes no Jardim» («Raddir í garðinum», 1992) e «O Navio dos Remos de Ouro» («Fley og fragar árar», 1996) – gostava de repetir que a sua verdadeira escola tinha sido aquela que em adolescente frequentara a bordo de barcos de pesca, trabalhando lado a lado com velhos pescadores, cuja experiência e humanidade o tornaram para sempre imune às tempestades da existência.
Às primeiras leituras juvenis de Dickens, Kipling, Hamsun, Laxness, e dos russos Tolstoi, Dostoievski e Tchekhov, juntaram-se as importantíssimas leituras de Faulkner (um dos nomes tutelares da sua obra), dos surrealistas e dos existencialistas (Camus, Malraux, do qual Thor traduziu «A Condição Humana»).

Após um curto período em que viveu em França, Thor encontrou a mulher com a qual se casaria e, a partir de 1953, fixou residência na Islândia, onde, e até à sua morte muito recente no início de 2011, vivia na sua casa-atelier, rodeado pelos seus quadros (a pintura foi a sua segunda «arte»). A carreira artística dessa «força da natureza» de nome Thor Vilhjálmsson, iniciada com a publicação, em 1950, de um livro de prosa breve, «O Homem está Sempre Só» («Maðurinn er alltaf einn»), até aos mais recentes romances, «Homicídio na Noite» («Náttvíg»), de 1989 e «Cantilena na Erva» («Morgunþula í stráum»), de 1998, passando pela incessante experimentação dos anos sessenta e setenta – dos quais um dos melhores exemplos é, sem dúvida, «Rápido, Rápido, disse o Pássaro» («Fljótt, fljótt, sagði fuglinn»), de 1969 –, foi construída sob o signo de um modernismo que nunca desdenhou o recurso à ironia, e de um forte sentido da forma aliado às técnicas vanguardistas. Vilhjálmsson foi um dos primeiros escritores islandeses do século XX que, refractário a qualquer tratamento realista dos temas e das situações humanas, olhou para a liberdade compositiva e para a explosão de imaginação de uma certa tradição do romance europeu (Joyce) e americano (Faulkner), conseguindo, deste modo, fugir seja à síndrome regionalista seja à cansada imitação do pai do moderno romance islandês, Halldór Laxness.

Numa nota de 1981, colocada no final de uma recolha de poesia escrita directamente em inglês com o título «The Deep Blue Sea, Pardon the Ocean», Thor escrevia: «Muitos dos meus compatriotas acusam-me de fazer literatura europeia. Os países do Norte passaram por anos tristes e desalentados em que a imaginação foi banida e cada coisa devia ser simples (ou mesmo simplista) para que as pessoas simples a pudessem ler (como se existissem pessoas simples!). Mas agora a imaginação regressou…». E foi precisamente a partir dos anos oitenta que a imaginação lírica deste grande poeta do romance europeu, fundindo-se com as fontes históricas da memória colectiva islandesa, se sedimentou e se impôs. A sua multifacetada obra literária, que engloba romance, ensaio, poesia, peças teatrais, libretos de ópera, é aclamada pelos seus compatriotas e por muitos leitores de todo o mundo. Os seus livros, inéditos em Portugal, estão traduzidos em mais de 20 países e foram alvo dos mais prestigiosos galardões literários, dos quais se destacam o Nordic Council Literature Prize e o Swedish Academy Nordic Prize, conhecido por ser o «pequeno Nobel».

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